Elemento

Porto
Memória descritiva

Elemento

Localizado no centro do Porto, num edifício histórico do século XIX, o Elemento é um restaurante com uma cozinha aberta onde se trabalha apenas com fogo. Tudo começou em 2018, quando o chef Ricardo Dias Ferreira lançou o desafio ao atelier de criar um restaurante com uma cozinha aberta com um forno tradicional a lenha e uma área para cozinhar a carvão. O seu objectivo era permitir que as pessoas acompanhassem todo o processo de confecção desde a preparação ao empratamento.

 

Esta era a premissa do nosso trabalho, desenhar um restaurante com uma cozinha o mais exposta possível à sala. O primeiro desafio foi o contornar as características do espaço, um rés-do-chão de um edifício de 5 andares, com uma implantação de 4.8m por 41m de profundidade. Estas proporções não eram favoráveis à criação de uma cozinha aberta e com o máximo de visibilidade possível, que ainda assim precisa de ter zonas e circulação técnica.

 

A abordagem passou por criar um espaço simples, onde a cozinha fosse o centro do restaurante, mas também respeitasse as características do edifício. A proposta passou por criar uma estrutura ao longo da parede esquerda do edifício que contivesse todo o programa técnico.

 

Ao entrar no restaurante, a primeira coisa que podemos encontrar é um bloco de mármore com uma chama e uma pilha de troncos de madeira. Esta pilha de madeira é o início desta estrutura, que contém o coração do restaurante, uma parede que se expande, criando espaço para a cozinha, o bar, uma garrafeira e todos os espaços técnicos necessários ao funcionamento de um restaurante e que precisam de estar fechados.

 

Tendo em conta que o restaurante se encontra num edifício histórico, decidiu-se preservar as paredes originais de pedra emparelhada do mesmo, criando um maior contraste entre a rugosidade da parede existente e o acabamento mais fino da nova.

 

Este corpo curvo expande-se na zona da cozinha, quase na totalidade da largura do edifício, deixando apenas espaço confortável de passagem para a sala de jantar.

 

Após a entrada, é possível encontrar a sala de espera e um pequeno bar. Ao avançar no edifício, a parede expande e abre-se para expor a cozinha, constituída apenas por um forno a lenha de tijolo e uma bancada para brasas e defumação. Nesta zona, é possível jantar ao balcão e acompanhar a confecção de todas as refeições. Depois da zona de cozinha e balcão, existe uma sala de jantar mais tradicional, junto da zona da garrafeira, aberta para a sala de jantar através de uma arcada.

 

A escolha dos materiais segue a linguagem simples do projecto, de onde se podem destacar o pavimento em betão, as paredes de reboco texturado, a madeira, as paredes de alvenaria e o contraste com o mármore Estremoz, estabelecendo também uma ligação entre a forma primitiva dos elementos e a a delicadeza da comida.

Cliente: Chef Ricardo Dias Ferreira
Dimensão: 200 m²
Fase: concluído